Dia desses, saí do meu estágio morrendo de sede e tive uma idéia: "por que não beber um copão de guaraná naquela lanchonete natureba?" Desviei meu rumo de volta pra casa, cheio de expectativa de relaxar depois de um dia de trabalho indigesto, mas não teve jeito. Parei em um sinal na altura do McDonald´s da 506 Norte, o que me deixou tão enfurecido com a demora que acabei comprando uma Mc Oferta e voltando pra casa.
“Eduardo, não coma coisa pesada à noite, dá indigestão.” Eu não sei por que a gente ainda cisma em teimar com nossos pais... Escutemos a voz da experiência de uma vez! Para quem já estava com o estômago revirado por intempéries do ambiente de trabalho, era meio caminho andado: tive uma noite de sono pesado e acordava o tempo todo. Já lá pelas oito da manhã, com a chuva fina implorando pelo meu descanso, finalmente fui recompensado pela noite mal dormida com um sonho intrigante.
Era uma árvore torta, com troncos que se projetavam de maneira vacilante em busca da luz do sol, bem como imagino que deviam ser os caminhos traçados por sua raiz debaixo do chão, a fim de buscar água e minerais no solo pobre do cerrado. Vista da ponta dos meus pés, a reconheci de supetão: era o “Clube do Verde”, a bendita árvore que eu, a Marina e a Laís havíamos adotado para passar bons momentos da nossa infância rente ao quebra-mola do Bloco A da 312.
Naquele momento, me vi no topo da árvore e senti a incrível sensação de estar também no topo do mundo. Percebi, mais uma vez, o quanto a natureza é maravilhosa e o quanto ela nos faz bem. Depois de tentar inutilmente desenhar a cena que vivenciei no sonho olhando para a mangueira na frente da janela da sala, imediatamente pensei no vovô: “Que cabra mais danado!”
Certamente ele já sabia disso há muito tempo. Andava apressado – às vezes até sem paciência – para nos convencer do seu mais bonito projeto. Não tinha tempo a perder: “Quinha, Dith, tenho fé que vai dar certo! Concinha, Tontonho, Zé Valdo, o que estamos esperando? Lilinha, Zé Romildo, me acompanham até lá? Chico, João José, Newtinho, vamos logo aparar aquele mato!”
E assim que os primeiros tijolos foram empilhados e que as reuniões no “condomingo” já haviam se tornado cultura dos Lima, ele sabia: havia plantado mais uma árvore, bem ali, no seu Clube do Verde. "Ô servicinho bem feito..."
Dudu

Que maravilha de texto, Dudu!
ResponderExcluir"Eça de Queiroz", com certeza...
Abraços!
Leo