quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Depoimento sobre Seu Lima

Meu primeiro contato com ele foi quando ele voltou de S.Paulo. Estivera lá trabalhando por algum tempo. Ele falava sobre Ademar de Barros, então governador do estado. Cantou para mim, garoto, esta canção muito cantada em S.Paulo. Era assim:

“Cheguei juntinho à sua porta
Não sei como consegui
Me disseram que tu não estavas
E que tu tinhas saído

Nada, nada, restou deste amor
São telhas de aranha que tecem a dor
O roseiral também murchou
E caindo pelo chão
Amarga a minha dor.”

Estas são as reminiscências que dele guardo do primeiro contato com ele.

Segundo contato: eu não estava mais em Ipueiras e, neste período, Seu Lima viajou para o Rio, à procura de trabalho. De regresso a Ipueiras, disse que havia trabalhado numa empresa para construção do Túnel do Catumbi. Quando vou para o Rio e passo neste túnel, lembro dele.

O noivado, pelo que lembro, foi rápido, mas lembro também que alegrou a mamãe. A propósito, eu estava em Cariré e a Fransquinha passou no trem, indo para Sobral, comprar o enxoval.

Terceiro contato: a construção da Casa. Toda a madeira do leito veio do Pé do Morro. Tendo residido algum tempo na nova casa, houve a venda da mesma para o Luís Bernardino. Seu Lima empregou o pouco dinheiro da venda da casa num pequeno comércio. O local era na praça da avenida. Não gostando de comércio resolveu sair de Ipueiras e residir, por algum tempo, no interior, em Rapa Canela, terras do rio Francisco. Lá fez uma experiência agrícola. Não deu certo e retornou a Ipueiras.

Quarto contato: voltando à cidade, foi residir numa casa alugada de seu Dola. Neste ínterim, colaborou em um trabalho agrícola. Neste tempo, o papai nos levou para o Pé do Morro. Aí Seu Lima foi morar em nossa casa. Lembro-me dele, à noite, indo à rede das crianças, cobrindo-as. Era inverno rigoroso e o piso úmido. Só um pai amável faria isto. Devo acentuar que, mesmo nas vicissitudes, Seu Lima não se queixava. Brotava dele sempre um sorriso.

Quinto contato: chegou JK e a construção de Brasília. Ele foi trabalhar nas Frentes de Serviços, como apontador. Era a construção da estrada Ipu-Ipueiras. Sentia-se bem neste trabalho. Finda a atividade com chegada da seca, observa como o fluxo migratório para Brasília era intenso. Seu Lima resolve ir para a Nova Capital. Lá se engaja nos Correios e Telégrafos. Aí firmado, mandou buscar a Fransquinha e as crianças. Acompanhei a Fransquinha até o aeroporto de Crateús.

Encerrando o sumário da minha vivência com Seu Lima aqui entre nós, só vou reencontrá-lo depois, em Brasília. Sempre alegre, sorridente e sem se queixar de nada. Por fim, bom esposo e ótimo pai.

Nota:
Optei por oferecer um testemunho vivencial com Seu Lima, até porque os valores e as virtudes dele estão inseridos neste depoimento.

Por: Pe. Geraldinho
Crateús, 21 de dezembro de 2009.

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