segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Visita alegre

Entre as lembranças mais prazerosas que eu tenho da minha vida familiar, são as visitas que o Seu Lima costumava fazer à minha casa, ao meu lar. Quando nos visitava era um momento muito feliz na nossa rotina. Ele chegava sempre sorrindo (parecia até que havia ganho na Mega) e nos abraçava com o seu jeito gentil e carinhoso.

Se fosse dizer de todas as visitas precisaria escrever muitos livros. Mas, posso contar algumas que vão surgindo à minha memória. Lembro tanto das visitas que ele nos fazia quando morávamos na Asa Sul e também depois na Asa Norte, quando ficou mais assíduo, devido à proximidade da sua casa. Ele gostava de conversar com as crianças e observá-las.

Assim que chegava costumava dizer (era a cara dele): “Ô, Seu Miranda! Que bom ver você . Que bom visitar essa casa abençoada!. Que bom ver essas crianças tão lindas!” Ora, se ele achava bom nos visitar, mais ainda nós nos sentíamos presenteados com a sua visita.

Ele sempre trazia alguma “contribuição”. Primeiramente, o grande presente era aquele sorriso largo, quase toda manhã, trazendo a bênção e palavras de incentivo a todos nós e ao meu trabalho. Mas, trazia outros deliciosos presentes, e com muito orgulho dizia: “Hum, tome essas tapioquinhas que a Quinha fez pra vocês... estão muito gostosas!”

Lembro também das visitas que ele fazia ao meu trabalho. Sempre que eu montava um restaurante novo, queria acompanhar o processo, e participar. Ele sempre dava idéias, com uma sabedoria própria.

Lembro bem das visitas que ele fez na montagem do primeiro, o Pizzarella , e também no Costelas, no Aerobar, entre outros. Eu percebia que ele acompanhava com prazer e via nos seus olhos o quanto ficava feliz. Ele dizia para as pessoas que o seu genro era um empreendedor.

Eu notava que ele observava os detalhes da obra, que muitas vezes me passavam despercebidos, tirava dúvidas e dava idéias, com muita simplicidade e sabedoria. Aquilo me deixava muito feliz principalmente por percebê-lo à vontade. Eu também me sentia um privilegiado por ter alguém que se interessava para dizer, e trazer coisas boas, simplesmente com o sentido de ajudar.

Aquilo pra mim era muito prazeroso, principalmente por ouvir o meu sogro dizer: “Seu Miranda, não entendo do seu ramo, mas qualquer coisa que precisar de mim, pode falar, estou aqui pra ajudar.” Mas, o interessante é que, mesmo sem querer abusar da sua boa vontade, ele sempre chegava na hora certa: era para me acompanhar ao banco, ficar um pouco na obra, quando eu precisava sair, e principalmente palpitar. Tinha sempre uma boa observação a fazer. O mais importante de tudo era o seu grande otimismo: “Seu Miranda, vai dar certo!”

Como eram pertinentes as suas visitas. Lembro de outra vez que ele me visitou na obra do Fogareiro na Asa Norte, prestes a ser inaugurado, e feliz, com aquele sorriso largo de sempre. O meu sócio estava comigo. Ele nos abraçou e deu parabéns. Eu, muito feliz com a bela visita, disse para o sócio: “Esse é o meu segundo pai”. O Furquim, brincalhão, disse para ele: “Como o senhor está cheiroso! Que é isso, Seu Lima, a Dona Fransquinha sabe que o senhor anda cheiroso por aí, assim? Ela não tem ciúme?” E ele deu aquela risada gostosa, e respondeu: “Ela confia em mim!”

E nós ali vimos que ele falou de toda a pureza da sua alma, pois a resposta espontânea e rápida é própria dos que são puros e fiéis. Pelo menos no caso do Seu Lima. Ele era sincero. Ali não tinha sombra de mentira.

Gostaria também de dizer que as viagens mais marcantes que fiz com minha família - esposa e filhos - foram acompanhadas pelas presenças do Seu Lima e Dona Fransquinha. Nas viagens que fazíamos eu sempre o chamava de “General”, pois era uma maneira carinhosa de dizer que ele era a autoridade ali. Ele, com um sorriso tímido, só respondia: “Eu hein, Seu Miranda!”

Eu me sentia revigorado na fé com a presença do meu sogro. Ele costumava dizer olhando pro Céu e levantando as mãos (era a cara dele ) : “Senhor, aumenta a minha fé!”; outra frase era: “Glórias a Ti, Senhor” Eu me emocionava com a pureza e fé daquele homem! Aprendi com o Seu Lima que essas frases têm poder. Sempre lembro e repito como ele: “Senhor, aumenta a minha fé!”; ou “Glórias a Ti, Senhor!”

Teria muitas e muitas coisas pra falar, sobre esse homem sábio. Todo momento que convivi com o Seu Lima, foi de aprendizado e crescimento. Relembrando tudo isso, percebo o quanto ele era amigo, companheiro e sangue bom. Sei que em todo empreendimento não só o meu, como o de todos, ele torcia pra dar certo. Simplesmente porque ele era um homem que admirava o trabalho e as pessoas idealistas.

Hoje, quero dessa forma lembrá-lo como também agradecer a Deus a oportunidade de ter conhecido alguém como o seu Lima , homem simples e de fé. Finalmente, não posso deixar de comentar outra marca deixada por ele – a de esposo e de pai de família, amoroso e dedicado. Isso foi marcante para mim, e creio que para toda a família: a sua alegria era estar com a Dona Fransquinha e reunido com a família.

Nesses encontros ele sempre me dava a palavra dizendo: “agora o seu Miranda vai falar”. Pois é, Seu Lima. Nem sempre eu falava, mas hoje me dispus. Eu falei, mas do senhor. Aliás, no senhor. Quero dizer que foi muito importante a sua convivência para mim. Ter-lhe conhecido foi uma das maiores alegrias da minha vida. Obrigado pelo seu bom exemplo.

Do seu sempre e eterno genro: João Miranda Lima.
Brasília, dezembro de 2009.

4 comentários:

  1. Do vovô o tio Miranda tem muitas características similares. Entre elas, as que eu mais identifico são a sabedoria, o caráter, a sinceridade, a fé, o empreededorismo e a pró-atividade. Essencialmente, são dois homens do bem. Texto maravilhoso, tio!

    Abraços, Dudu

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  2. Parabéns, meu melhor amigo!
    Texto verdadeiro em todos os sentidos - sobre o que o senhor falou de coração e sobre o que realmente acontecia no dia-a-dia.
    Parabéns pelo o que o senhor é e pelo que sempre respeitou meu amado e sábio Avô!

    Forte abraço do filho!

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  3. Que satisfação ver tanta gente boa neste blog!

    Tio Miranda, parabéns pelo lindo texto, uma maravilha! Quantas lembranças boas do Seu Lima, não? Ele, assim como o senhor, são exemplos para toda nossa família.

    Agora o texto guardará estas belas histórias para sempre. "Glórias a ti, Senhor"!

    Um grande abraço!

    Léo e Mari

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  4. É pai...
    Estou de prova que tudo o que disse, de fato, é verdade.
    Me emocionei, pois tais palavras eram exatamente as que o vovô dizia... ô Bichinho lindo este vovô! Aquela cabecinha de algodão + boné + casaco...
    Saudade vô... te amo pra sempre!

    beijos,

    Lílian

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