Aproveito a mensagem do Zé Válner para dizer que eu mesmo pedia ao papai para contar a história do José do Egito umas cem vezes ou mais. Era uma delícia ouvi-lo. Ele era um contador de história insuperável. Interpretava os personagens e passava emoção. Em uma época em que não tínhamos televisão, seduzia os filhos e também os adultos com as fábulas, descrevia os cenários, imitava a reação dos reis, príncipes, vassalos, papas e pessoas humildes. Arrancava lágrimas com o realismo de suas palavras.
Nosso pai tinha o carisma que muitas vezes lembra o de personagens vivos, como Lula , ou de pessoas já mortas, como José Alencar e Cartola. Mas essas pessoas alcançaram a notoriedade por meio da política ou da música, instrumentos de que papai não se utilizou profissionalmente. Ele até gostava de política, amava a músicas, mas o seu lugar preferido era se inserir no meio das pessoas. Parecia procurar o anonimato. Mas, onde quer que estivesse, era facilmente percebido. Irradiava alegria. Não a alegria escandalosa, das risadas altas, mas a alegria que toma conta do coração. Papai nunca deixou de ser manso. Mansidão, no sentido filosófico, significa “reta razão”. Por isso, quando abordado sobre qualquer assunto, papai respondia sempre com verdades desconcertantes. Por se portar com autenticidade, papai conquistou a todos. Dele sempre emanva um sinal vivo da presença de Deus aqui na terra.
Zé Válner, que linda foto do papai você colocou no e-mail junto com Leonardo, Ada e outras crianças. Parabéns por nos ter dado essa alegria.
José Romildo
Muito bom, muito bem, finalmente um pouco das suas histórias e observações sobre o papai provocadas pela tal história do José Válner (do Egito?). Beleza \0/\0/
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