Dia de sol, início de férias... nada era melhor do que bater uma bolinha nos gramadinhos da 312N, quando se podia reunir toda galera! Rodrigão, eu, Nando, Binho, Jéfther, Germano, Marcelo Neguinho, Dudu, Diego, Marcinho e até os mestres dos magos, Maurício e Zé. Todo mundo debaixo do escaldante sol brasiliense, achando o máximo jogar o tal do “golzinho”!
Geralmente havia baixas nos “elencos”, mas aquele dia específico estava perfeito: dois times jogando e um “de próxima”. Ô, coisa boa!
Começamos às duas da tarde e terminaríamos quando “desse na telha”, já que o “golzinho” era a brincadeira favorita do pessoal. O legal era que a galera jogava até escurecer o dia (e a sola dos pés descalços...). A diversão era certa!
Lá pelas 3 da tarde, no meio do “clássico” Rodrigo-Neguinho-Diego contra Nando-Binho-Leo, entre os gritos de “Toca, velho!”, “Chuta!” e outros típicos de uma “pelada”, ouve-se um alto e longo chiado:
-“XXXXXXXXXXXXiiiiiiiiiiiitt......XXXXXXXXXXXXiiiiiiiiiitt!!!”
Todos param e olham para os lados, procurando de onde vem aquele som. Que torna a acontecer:
-“XXXXXXXXXXXXiiiiiiiiiiiitt......XXXXXXXXXXXXiiiiiiiiiitt!!!”
Aquele chiado era familiar, então automaticamente olhei para o bloco “C”. Adivinhei...! Lá estava, debaixo do bloco, o Seu Lima com o seu bonezinho azul e o dedo em riste, olhando para o campinho e voltando a chamar:
-“XXXXXXXXXiiiiiiiiitt...Venha cá!”
Pedi licença ao pessoal e fui atender ao pedido do Vovô. Todos olhavam, aguardando que o time se restabelecesse e o futebol continuasse. Então, cheguei ao vovô e perguntei meio ofegante:
-“Oi, vovô, bênção! O senhor precisa de alguma coisa?”
-“Sim, meu filho... queria que você fosse comigo ao comércio, resolver uns negócios. Vamos lá?”
E deu aquele peculiar sorriso...
Olhei para o campinho: todos aguardando, no mesmo lugar onde se encontravam quando o jogo parou. Pensei:
-“Puxa vida... O que o vovô quer resolver lá no comércio, hein?”
Assim, voltei ao campo, pedi substituição, e fui acompanhar o vovô na sua caminhada ao comércio. Na hora fiquei chateado, pois o futebol daquele dia estava muito bom. Quando conseguiríamos reunir os times completos novamente?
Mas logo fui batendo papo com o Seu Lima e a chateação passou. Como era bom conversar com ele!
Achei que fosse comprar pães, ou arrumar um sapato, ir na farmácia, ou algo parecido. Assim, fomos batendo um papo bacana até o comércio da 312N.
Para minha surpresa, o vovô passou pelo comércio da 12 e foi atravessar a pista, em direção à 313N. Perguntei:
-“Ué, vovô... onde estamos indo?”
Ele, com aquele jeitinho peculiar, falou:
-“Fazer um joguinho, né....! Vai que ‘dexta’ vez dá certo!?”
Aí ele tirou do bolso um pedaço de papel amassado, cheio de números, e subiu as escadas do comércio da 313N. Perguntou se eu também não queria fazer uma fezinha, já que se ganhássemos, poderíamos ajudar muita gente! (Grande vovô!)
Então ele tirou um volante da loteria e me deu para que preenchesse, enquanto se encaminhava para a casa lotérica. Enquanto estava lá, pensando se colocava o 36 ou o 47(??), para minha surpresa, vejo o vovô voltando todo apressado. Antes que eu pudesse perguntar alguma coisa, ele disse: -“Vamos embora, Leonardinho... Vamos embora... ‘Exta’ senhorita sempre me dá azar!”
Não me contive e comecei a rir, enquanto o acompanhava de volta ao bloco “C”, escutando “por que” aquela senhorita, funcionária da casa lotérica, dava tanto azar assim.
Voltei ao futebol, mas aquilo não me saía da cabeça. Como é que a coitada da funcionária nunca deu sorte para o meu avô?! (risos)
O engraçado é que, no fundo, tanto o vovô quanto todos já sabiam que o maior prêmio da história já havia sido contemplado muito antes: a linda Dona Francisca e sua linda Família Lima... Haja Mega-Sena acumulada, hein, Vovô...!
Por: Leonardo Daldegan Lima
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
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É muito bom "ouvir" as histórias do Seu Lima.... é mesmo que estar vendo!!!
ResponderExcluirBoa lembrança Leo! Valeu! (e conte mais!)
ateh eu ja acompnahei o vovo num joguinho! adorei! bjs
ResponderExcluirRodrigão disse...
ResponderExcluirGrande Léo! Muito boa essa história. Esse dia ninguém entendeu nada!hahaha...Ô época boa!! E o vovô, sempre chamava a gente no meio do jogo mesmo! Grande abraço!
Pessoal, tentem imagina a frustação do Leonardo que "amava" os costumeiros jogos - "golzinho".
ResponderExcluirMuito bom o texto!
Você escreve perfeitamente bem, irmão!
Beijos!!!
Léo,
ResponderExcluirRealmente tinha que deixar registrado este episódio tão famoso! É a cara do vovô!
beijos!