“Bela, tão bonita e tão singela!”, era assim que o vovô cantava quando vinha nos visitar. Isso porque desde abril de 1999 ele era recebido por uma cadela de orelhas compridas, pela cor de chocolate, latido forte e rabo curto, que parecia não caber em si de tanta felicidade. Como de costume, a campainha tocava 10 vezes por segundo sinalizando a impaciência do seu Lima, que queria tomar um cafezinho conosco. E a Bella, tão paciente quanto nossa visita, olhava para a gente com as orelhas em pé, esperando que confirmássemos sua suspeita: “É o vovô, Bella!”.
O encontro dos dois era no mínimo superengraçado. Primeiro, ela ficava sobre as duas patas traseiras e cutucava a mão do vovô com o focinho. E nós quatro chamávamos a atenção dela: “Bella, cuidado para não machucar o vovô!” Depois, ela balançava o rabo frenético, deitava no chão de barriga para cima e então, em uma tentativa frustrada de passar o pé suavemente nela, o querido vô praticamente pisava com sua enorme sandália Rider na Bellinha. E nós quatro: “Vô, cuidado para não machucar a Bella!”
O fato é que os dois achavam o máximo as demonstrações de carinho um do outro. Talvez porque compartilhassem um amor em comum: o Condomínio Verde. A ansiedade, a excitação e a sintonia pareciam ser as mesmas que cada um sentia e poucos compreendiam. Desde pequena, a Bella dava pulos de alegria, latia e chorava quando ouvia a palavra “condomínio”, mesmo que em meio a uma conversa à toa na mesa do café, quando jurávamos que ela não estava prestando atenção. O vovô não deixava de comentar um só dia sobre a casa, as bananeiras, a nova iluminação das ruas, o canto dos pássaros, fora os insistentes pedidos que ele fazia a quem encontrasse e tivesse um carro para leva-lo até lá. Quando os dois estavam juntos naquele santuário, seu Lima não podia ficar mais satisfeito do que ao ver a Bella voltando cheia de lama e mato grudado na orelha. Claro, desde que quem fosse responsável por ela se comprometesse a limpar toda a sujeira do chão branco.
Os cachorros são conhecidos por sua fidelidade, alegria e simplicidade. Quem já teve um desses bichinhos em casa sabe que eles só querem a sua companhia sincera e nada mais. Eles não se importam se está estressado, triste, mal-humorado, desde que fiquem sempre ao seu lado. É possível que o vovô Lima tenha se identificado com a Bella porque transparecia os mesmos sentimentos: era fiel, alegre e simples. Mais do que nunca, esses dois estão para sempre ao lado de quem amam desde que partiram para um “Condomínio Verde” muito maior e especial, aonde nos receberão radiantes.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
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Cascata, véi! Que texto mais lindo do mundo! Parabéns pela poesia e precisão de suas palavras, Lá!
ResponderExcluirFiquei encantada também com o desfecho, que guarda em si uma esperança (verde como o condomínio) que anima nossos corações...
Beijões da prima que um dia ainda quer dançar o "ô,ô,ô,ô, no, no, no" da Beyoncé como você!
Linda, linda, linda... Lalá,sua história ficou tão bela, bonita e singela quanto os seus personagens principais.
ResponderExcluirBeijão!
Lindíssimo texto, Lala!
ResponderExcluirComo não se lembrar dos encontros entre o Seu Lima e a Bella, né verdade? Que barato! :)
Um grande beijo!
Lalá
ResponderExcluirGostei muito do texto. Parabéns! Parabéns!
tia Ceiça
Gente! Eu sonhei com a Bella hoje!
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